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Conheça o resumo, estrutura e as características dos personagens do livro “O cortiço”, de Aluísio Azevedo

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Lançado, em 1890, o livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, é considerado o melhor representante do movimento naturalista brasileiro.

Trata-se de um romance que se tornou peça-chave para entender o Brasil do século XIX. Mas vale observar que, como obra literária, ele não pode ser entendido como um documento histórico daquela época. 

Contudo, também não se pode ignorar as relações sociais e as ideologias do país representadas ao longo da narrativa e que de fato se tornam uma alegoria brasileira. 

Com relação ao Naturalismo, o livro sofreu influência do romance francês  “L’Assommoir”, do escritor francês Émile Zola, sem tradução adequada. Tal obra segue o rigor científico ao representar a realidade. 

Tanto a obra de Zola quanto a de Azevedo fazem uma crítica, combatendo uma suposta degradação das pessoas causada pela mistura de raças, que, de acordo com o autor, resultam na promiscuidade sexual e moral. Além disso, Azevedo apresenta outras questões, como a desigualdade social, por exemplo. 

Portanto, pode-se verificar no livro “O cortiço” as principais características do Naturalismo, como a animalização dos personagens por suas ações baseadas em instintos de sobrevivência e os sexuais. 

Agora, para entender um pouco mais, vamos ao resumo?

Resumo do livro “O cortiço”

O livro narra a saga de João Romão. Ele busca enriquecer e acumular capital, explorando seus empregados e até furtando para conseguir atingir seus objetivos. 

João Romão é o dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Sua amante, Bertoleza, o ajuda trabalhando sem descansar.

Também há a figura de Miranda. Outro comerciante bem estabelecido.  Miranda e João Romão criam, então, uma disputa acirrada por uma braça de terra, que corresponde a uma antiga medida de comprimento ainda usada por muitos trabalhadores rurais e equivale a 2,20 metros lineares.

Mas, não havendo consenso entre os dois, há o rompimento provisório dessa relação.

A disputa segue quando Miranda recebe o título de barão e João Romão percebe que ganhar dinheiro não é suficiente, sendo também necessário ostentar com uma posição social, vestir roupas finas, frequentar teatro, ler romances e participar da burguesia. 

Já no cortiço encontram-se os personagens de menor ambição financeira como: Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade. E a exemplo de como o romance demonstra a influência que o meio opera sobre o homem é o caso do português Jerônimo, que tinha uma vida exemplar antes de cair nas graças de Rita Baiana. Isso faz com que o português trabalhador mude todos os seus hábitos.

João Romão também recebe o título de barão e sua relação com Miranda melhora, já que ele passa a ter superioridade sobre o seu oponente. Então, João Romão muda o cortiço, que logo perde seu caráter miserável e desorganizado e passa a ter ares aristocráticos, se transformando na Vila João Romão. 

Em seguida, para se aproximar da família de Miranda, João Romão pede a filha do comerciante em casamento. Mas há o empecilho de Bertoleza, que percebe isso e exige usufruir os bens que seriam acumulados junto dele.

Porém, para se ver livre dela, Romão a denuncia como escrava fugida a seus donos. Então, prestes a ser capturada, Bertoleza se suicida, deixando o caminho livre para Romão se casar. 

Estrutura do livro “O cortiço”

A obra é composta por 23 capítulos e apresenta um narrador em terceira pessoa. Este é onisciente, ou seja, sabe de toda a história e tem poder total na estrutura do romance: entra no pensamento dos personagens, julga e tenta comprovar as influências do meio, de raça e do momento histórico.

O tempo da narrativa transcorre de forma linear, com seu começo, meio e fim. Seguindo o tempo cronológico dos acontecimentos e dos fatos, mas sem precisão de datas. Há, no entanto, que ressaltar a relação dele com o desenvolvimento do cortiço e o enriquecimento de João Romão.

Já o local em que se desenvolve toda a trama representa o coletivo. O cortiço se projeta na obra mais que os personagens que ali vivem, tornando-se, portanto, o personagem principal. Inclusive, alguns trechos do romance personificam ele. 

Isso é observado quando o narrador compara o cortiço a uma floresta, como um organismo vivo, que cresce e se desenvolve e também dá forças às ervas daninhas, consequentemente determinando o caráter moral dos seus habitantes. 

Há outras passagens do livro que se passam na pedreira e na taverna de João Romão, assim como o sobrado da classe burguesa, no bairro do Botafogo no Rio de Janeiro.

Os personagens da obra possuem características comportamentais marcadas pela degradação moral, espiritual e física, pela ambição e também pela animalização que revela seus instintos sexuais. 

Confira, a seguir, os personagens do livro e suas características.

Lista de personagens do livro “O cortiço”

Os personagens da obra são psicologicamente superficiais, ou seja, podemos verificar melhor seus tipos sociais:

  • João Romão: português dono do cortiço, da venda e da pedreira. Representa o capitalista explorador.
  • Bertoleza: escravizada amante de João Romão que trabalha para ele. É quitandeira e trabalha como uma máquina. 
  • Miranda: português burguês casado com Estela e que vive ao lado do cortiço. Principal opositor de João Romão.
  • Estela: esposa infiel do português Miranda.
  • Zulmira: filha de Estela e de Miranda, além de esposa de João Romão.
  • Jerônimo: português que administra a pedreira de João Romão. Tem um caso com Rita Baiana. Representa a disciplina do trabalho.
  • Rita Baiana: mulata sedutora que vive no cortiço. Teve um caso com Capoeira Firmo, e mais tarde se envolveu com o português Jerônimo. Promove os pagodes no cortiço. Representa a mulher brasileira.
  • Piedade: esposa de Jerônimo que, ao descobrir sua traição com Rita Baiana, entrega-se ao alcoolismo. Representa a mulher europeia.
  • Capoeira Firmo: amante de Rita Baiana. Foi morto pelo português Jerônimo.
  • Pombinha: moça bonita, discreta e educada que se prostitui por influência da prostituta Léonie.
  • Libório: habitante miserável e solitário do cortiço. Vivia como um mendigo.
  • Arraia-Miúda: representada por lavadeiras, caixeiros, trabalhadores da pedreira e pelo policial Alexandre.

Um pouco sobre o autor do livro “O Cortiço”, Aluísio Azevedo

Aluísio Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, em 14 de abril de 1857. Após concluir seus estudos, se transferiu para o Rio de Janeiro em 1876, onde prosseguiu na Academia Imperial de Belas-Artes e começou a trabalhar como caricaturista para jornais.

Em 1879 seu pai vem a falecer e Aluísio Azevedo retorna ao Maranhão para ajudar a sustentar a família. Nessa época, ele inicia sua carreira literária. Publica, então, seu primeiro livro “Uma lágrima de mulher” em 1880. 

Já com a questão abolicionista ganhando cada vez mais espaço no final do século XIX, publica o romance “O mulato” em 1881. Devido ao sucesso que a obra obteve, Aluísio volta à capital imperial e passa a exercer o ofício de escritor, publicando outros romances, contos e peças de teatro.

Depois, ele se instala em Buenos Aires na Argentina em 1910 para trabalhar como cônsul e vem a falecer em 21 de janeiro de 1913. 

Suas principais obras são: “O mulato” (1881), “Casa de pensão” (1884) e “O cortiço” (1890).

Gostou de saber mais sobre o livro “O cortiço”? Então, continue acompanhando nosso blog para ficar por dentro das obras literárias obrigatórias e de outros temas que caem nos vestibulares!

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Sobre o professor(a)